domingo, 7 de fevereiro de 2010

Revista Zena | Entrevista Zeca Viana


Coletânea Recife Lo-Fi Volume I
[Por Belisa Parente 05/02/2010 01:33 Comente Imprimir Email ]

Coletânea Recife Lo-Fi (Foto: Bruna Rafaella/ Divulgação)

Viver de arte, de música, é uma tarefa árdua no Brasil. Poucos conseguem deslanchar rapidamente, como foi o “chuá” de Carmen Miranda no mundo. Primeiro por que não possuímos uma elite intelectualizada apoiando as artes, ficamos à mercê do crivo governamental das leis de incentivo à cultura. Depois, estamos fora do eixo Centro- Sul e já não existe a Rozenblit como alternativa regional.

Nos anos 50, a Fábrica de Discos Rozenblit rompeu o monopólio das grandes gravadoras. Graças ao gênio empreendedor de José Rozenblit, a música popular brasileira enriqueceu com os registros fonográficos dos ritmos nordestinos. “No tempo da Rozenblit tínhamos realmente oportunidade para os cantores, autores e compositores pernambucanos”, afirmou Claudionor Germano. Agora, na adversidade, a ideologia punk do “Do it yourself” (“Faça você mesmo”) toma a cena musical recifense – e quando falo de cena, englobo toda a nossa rica diversidade musical.

Com o espírito de fazer como se pode, o cantor Zeca Viana organizou a Coletânea Recife Lo-Fi Volume I, em formato virtual, reunindo a produção de 21 músicos recifenses. As gravações foram feitas de forma caseira ou em pequenos estúdios, sem muita produção nem verba – daí vem a denominação, e modo de fazer, Lo-Fi. “Tenho muitos amigos que gravam em casa, sem se preocupar muito em buscar “texturas” específicas, maiores produções no trabalho de captação. Pensamos que seria legal ter um espaço para essas gravações que muitas vezes ficam encostadas. O que realmente importa é essa necessidade de fazer, criar, registrar, o “faça-você-mesmo”", comenta Zeca Viana.

Apesar das gravações serem caseiras, e algumas bandas praticamente desconhecidas pelos próprios recifenses, a turma prova que dá pra coisa. Entres os selecionados para o volume I, destaco o eletrônico super dançante da banda Júlia Says. “Os sons eletrônicos são interessantes e abrem espaço na medida em que são feitos de forma “orgânica”, no sentido de verdadeira. Voltando a Recife posso falar também do Diversitrônica que faz um trabalho muito bacana”, comenta Zeca. Jean Nicholas com a música “O vento Sopra”; Gigantesco Naval Elétrico, Matheus Mota, D Mingus com um som bem intimista e o organizador Zeca Viana, com “Pra lá de Marrakech”.

As mulheres têm presença tímida na Coletânea, o que não reflete a produção musical das mesmas na cena recifense. Apenas Milla Bigio, Lulina e Lina Jamir, que segundo Zeca é uma das revelações da coletânea, estão no Volume I. “Existem muitas mulheres que empurram as fronteiras da música pernambucana. Podemos citar Karina Buhr, Catarina Dee Jah, Bê Formiga, Juliana Orange, Isaar. O que aconteceu foi que, imediatamente, convidei as minhas amigas mais próximas. Provavelmente no Recife Lo-fi Volume II esse número será maior”, afirma.

FESTA DA COLETÂNEA A Coletânea Recife Lo-fi será lançada sexta-feira (05/02) no Quintal do Lima (Rua do Lima, nº 100, Santo Amaro), a partir das 21h. Com show de Zeca Viana & O Conjunto Imaginário (composto por Gleisson Jones na bateria, Fernando Barreto no baixo, Zé Mário na guitarra e D Mingus na flauta e efeitos), Ex-Exus, Gleisson Jones e Julia Says. A discotecagem fica por conta de D Mingus, Vivi Menezes, Mucuri e Jamerson de Lima. Ingresso: R$ 5.


PARTE DA ENTREVISTA COM ZECA VIANA


Zeca, essa história de Lo-Fi soa bem roquenrou, não achas? Ultimamente os sons são muito lapidados, mexidos. Gravar em estilo caseiro beira o ao vivo, um som mais desprovido de regras. O nome caiu como uma luva ou a idéia foi justamente reunir sons no estilo?
Na verdade foi um pouco de cada coisa. Tenho muitos amigos que gravam em casa, sem se preocupar muito em buscar “texturas” específicas, maiores produções no trabalho de captação, etc. Outros, apesar de também gravar em casa, buscam uma perfeição maior no sentido de agregar “midis”, programações, diminuir ruídos, etc. O que realmente importa é essa necessidade de fazer, criar, registrar, o “faça-você-mesmo”. Talvez você quis dizer isso com roquenrou… A idéia é bem essa. É um “lo-fi” mais ideológico do que técnico. Não estou preocupado com as taxas de transferências de Hz ou Bits. O barato é abrir fronteiras para gravações desapegadas do “formato profissional”, do cheiro dos estúdios de altas cifras. É ótimo também gravar em estúdios bons, com produtores competentes, não pregamos uma negação aos “estúdios profissionais”. Só pensamos que seria legal ter um espaço para essas gravações que muitas vezes ficam encostadas. Por isso eu digo que essa é uma coletânea para “músicas” lo-fi, e não, “músicos” lo-fi.

Estive pensando no ambiente em que os artistas contemporâneos estão criando. Nas grandes metrópoles, trancados em quartos, dentro de caixas, longe do ar livre, da natureza. Como você acha que esse meio está influenciando as criações?
Moro na mesma casa desde os quatro anos de idade e nunca me senti longe da natureza. Desde criança me tele transporto para um mundo particular, no meu quintal com estrelas, com um cachorro e um beija-flor. Mesmo hoje morando em São Paulo esse quintal faz parte de mim onde quer que eu vá. É lá onde estão minhas memórias mais remotas, onde estão meus pais brincando comigo, onde sinto cheiro de chuva, onde brinco na grama. Tenho uma música chamada Quintal Sideral, fala um pouco disso. Mas cada artista trás dentro de si seu próprio mundo, com suas próprias referências, e elas estarão instaladas em qualquer espaço físico, por que elas não são físicas. Lulina tem a Lulilândia onde espalha suas referências entre minhocas, conversa com baratas e brinca com E.T´s. Gleisson Jones vai lançar seu primeiro trabalho intitulado “Urbano, Demasiado, Urbano” que fala sobre ruas reais da cidade e personagens que podem muito bem existir. Cada um instala um mundo, instala memórias.

Porque você faz poucos shows na cidade?
Atualmente moro em São Paulo, o que dificulta um pouco vir tocar por aqui. Mas já fiz alguns shows, com formato mais intimista, sem bateria, algo para um publico menor. Em São Paulo fiz a estréia de um formato novo chamado Zeca Viana & O Conjunto Imaginário, onde convido músicos para me acompanhar no baixo, bateria e guitarra. Ficou muito bacana, adorei a ideia de um ritmo mais acentuado, marcado. Farei os primeiros shows em Recife com esse formato no Grito Rock Recife (dia 04 de fevereiro) e no lançamento da coletânea Recife Lo-fi (dia 05 de fevereiro) no Quintal do Lima.

Das bandas presentes na coletânea, só vi anúncios de shows da Ex- Exus, Julia Says e Candeias Rock City. Porque os demais não se apresentam? Falta profissionalismo? Falta divulgação? Falta confiança para sair do quarto para os palcos?
Pra falar a verdade, esses últimos seis meses não tenho acompanhado os shows na cidade por estar morando em São Paulo. Na coletânea temos alguns artistas que nunca fizeram shows. Espero que esse projeto possa abrir portas para que isso aconteça. Os motivos de um artista não se apresentar com determinada frequência podem ser vários. Música não é uma profissão muito “segura” financeiramente, nem muito fácil. Pra sair por aí tocando, ensaiando, se articulando, é necessária certa estrutura prévia de trabalho no meio, na realização de contatos, etc. Temos poucos locais abertos que tem peito de “apostar” em bandas/artistas que são pouco conhecidos. Muitas vezes a banda tem que bater o escanteio e correr pra cabecear! Realizar várias tarefas que estão além de compor e se apresentar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Projeto Lo-Fi é música boa e feita em casa | Folha de Pernambuco

Zeca Viana juntou grupo onde todos já haviam gravado suas músicas em estilo lo-fi

Projeto Lo-Fi é música boa e feita em casa http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-programa/549785?task=view

Coletânea virtual “Recife Lo-Fi” será lançada amanhã, às 22h, no bar Quintal do Lima

AMANDA SENA

Zeca Viana juntou grupo onde todos já haviam gravado suas músicas em estilo lo-fi
Pare e pense no que é preciso para se fazer música de qualidade. Certamente, a resposta mais frequente é: Talento! E esse elemento é, por certo, um dos pontos de interseção entre os artistas que estão reunidos na coletânea virtual “Recife Lo-Fi”, que será lançada amanhã, às 22h, no bar Quintal do Lima. O outro ponto de interseção, que levou o músico Zeca Viana (baterista da Volver) a juntar essa galera, é o fato de todos eles terem gravado suas músicas em estilo lo-fi, em casa, com celular, ou no home estúdio de amigos.

“Passando uma temporada em São Paulo com a Volver, sempre me perguntavam o que havia de novo na cena musical de Pernambuco. Eu acabava indicando um ou outro, e acabei percebendo que muitas bandas tinham trabalhos gravados em casa, e algumas até, nunca tinham feito shows”, disse Zeca, que idealizou o projeto com o intuito de dar vazão e visibilidade ao que está sendo produzido por esses novos artistas.

Ao projeto, juntaram-se parceiros de peso, como Recife Rock, Coquetel Molotov, a revista O Grito, a paulista Agência Alavanca, e a gravadora Trama Virtual, que se encarregou do lançamento nacional da coletânea, disponibilizando ainda a compilação para download no site (www. tramavirtual.com. br).

Ao todo, a coletânea reúne 21 composições de bandas - e também de artistas solo - da nova cena musical pernambucana. Entre os nomes escolhidos, alguns já conhecidos do grande público como o rock de “Johnny Hooker & Candeias Rock City”, que se apresentou no Abril pro Rock do ano passado, e o som eletrônico da banda “Julia Says”, que entre outros, passou pelo palco do Rec Beat. “ Procuramos fazer um mix de diferentes estilos, e também de gente que já faz shows, com quem nunca se apresentou para o grande público” frisou Zeca.

Gente como a jovem Lina Jamir, que assina a faixa sete da coletânea intitulada “Terra Gira”. Misturando música eletrônica com MPB, a garota é uma das apostas do projeto.

Além do site da Trama Virtual, as músicas selecionadas também estão no blog do projeto (recifelofi.blogspot.com), que além de disponibilizar os links para download, também traz depoimentos dos artistas relatando como foi a experiência de gravação de suas composições em estúdios caseiros.De acordo com o baterista, o grupo já trabalha na seleção de artistas para uma segunda coletânea que deverá ser lançada no segundo semestre. Os interessados em participar podem encaminhar seus trabalhos para o e-mail descrito no blog e aguardar a nova seleção.
Para a festa de amanhã foram escolhidos quatro nomes que compõem a coletânea para as apresentações. Gleisson Jones, Julia Says, Ex exus, e o próprio Zeca Viana, que apresenta seu trabalho solo. Além de discotecagem de Vivi Menezes, Mucuri, D Mingus e Jarmeson de Lima.
Serviço

Lançamento Coletânea Recife Lo-Fi
Amanhã (5), às 22h
Bar Quintal do Lima
Ingressos: R$5

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Matéria no Coquetel Molotov

Coletânea Recife Lo-Fi mostra as novas caras da música local
por Jarmeson de Lima


São 21 artistas reunidos, mas poderiam e podem ser bem mais. Tanto é que, segundo o idealizador do projeto, este é apenas o primeiro volume de uma série. O ambicioso projeto, no bom sentido, é a coletânea "Recife Lo-Fi", organizada por Zeca Viana abrangendo cantores e bandas recifenses que gravam músicas no interior de suas casas.

O projeto é uma bela iniciativa que mapeia estes talentos ocultos, que raramente fazem shows e que conquistam um público virtual com suas gravações antes mesmo de serem conhecidos em sua própria cidade. O que une esta galera tão diferente em ideologia, estilo e até mesmo idade é esse pequeno domínio das tecnologias de gravação em softwares caseiros para lançar na Internet o que vem sendo gravado há tanto tempo.

O fato de serem gravações "lo-fi" ou com pequenas falhas de captação, não torna as músicas da coletânea desagradável aos ouvidos. Para Zeca, isto já é um charme, um toque especial inerente ao projeto. "Esperamos com isso oferecer uma panorâmica do que vem sendo gravado nos quartos e home studios do Recife nessa última década", afirma Zeca. No projeto há espaço tanto para gente nova como Matheus Mota e a adolescente Milla Bigio como ainda há espaço para o professor de filosofia e compositor Jalu Maranhão e os artistas e performers Grilo e Paulinho do Amparo.

Alguns deles são compositores compulsivos. Lulina, Vitor Toscano e o próprio Zeca Viana parecem só ter como limites o espaço em seus HDs. A inspiração faz com que gravem com uma urgência sem limites as músicas que surgem à cabeça. E nessa hora vale tudo. "Usamos um microfone de computador, um PC e um programinha simples de gravação. Eu toquei meu violão verde, Leo Monstro tocou minha gaita, calimba e alguns chocalhos que eu trouxe da Amazônia", revela Lulina ao comentar a gravação da faixa "Birigui", presente na coletânea.
"Minha música presente na coletânea foi gravada na casa dos Los Porongas, em São Paulo. Fui lá um dia pra trocar uma idéia, tocar e ouvir canções minhas e deles. Foi quando o João Eduardo (guitarrista dos Porongas) começou a gravar as músicas que eu estava, despretensiosamente, tocando em voz e violão mesmo, cantando baixinho, em falsete pra não incomodar a vizinha chata deles", revela Bruno Souto.

"O legal do projeto é isso. Tem gente que gravou do celular, outros de mp3... O importante é mostrar ao mundo que eles existem e estão gravando", enfatiza Zeca Viana. "A coletânea serve como uma vitrine para essas pessoas que têm uma qualidade artística excepcional", complementa. Até o momento, de forma bem espontânea, a coletânea "Recife Lo-Fi" ganhou várias adesões pela Internet que vem divulgando o projeto e o link das músicas para download.
E para oficializar o lançamento da coletânea, alguns dos artistas participantes tocam ao vivo nesta sexta (05/02) no Recife. A festa Recife Lo-Fi acontece a partir das 22h, no Quintal do Lima, com shows de Júlia Says, Gleisson Jones, Ex-Exus e Zeca Viana & O Conjunto Imaginário, além de diversos convidados que terão a chance de tocar junto no mesmo palco. "Será uma ótima oportunidade para todo mundo que fez parte do projeto se conhecer e divulgar o trabalho", espera Zeca.

Lançamento da Coletânea Recife Lo-FiShows com Gleisson Jones, Julia Says, Ex-Exus e Zeca Viana & O Conjunto Imaginário Data: Sexta-feira - 05 de fevereiro - 21h Local: Quintal do Lima, 100 - Rua do Lima - Santo AmaroIngressos: R$ 5,00 Mais informações: http://recifelofi.blogspot.com/

Recife Lo-fi na Folha de Pernambuco

FOLHA DE PERNAMBUCO - 02/02/2010

Radiola de ficha
Talles Colatino
A cena de um Recife Lo-Fi

A inquietação de Zeca Viana, mais conhecido como baterista da Volver, mas que tem um trabalho solo fantástico, deu vazão à ótima coletânea virtual “Recife Lo-Fi”, que será lançada na próxima sexta-feira, com festinha no Quintal do Lima. A compilação, disponível no site da Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br), apresenta novos e velhos conhecidos da cena, mostrando versões caseiras de suas canções.

Por lá, a gente encontra nomes como Julia Says, Lulina, Gleisson Jones, Johnny Hooker e Candeias Rock City, Ex-Exus e D-Mingus. A seleção de, ao todo, 21 artistas, foi feita pelo próprio Zeca, que ouviu também pitacos de parceiros como o Coquetel Molotov, Agência Alavanca, Recife Rock, Trama Virtual e a Revista O Grito!. Quem quiser mais informações sobre o trabalho, segue o blog que Zeca criou para divulgar a empreitada: www.recifelofi.blogspot.com

Promoção Recife Lo-fi, ganhe ingressos pra festa!

Pessoal, estamos sorteando 2 (dois) ingressos para o show de lançamento da coletânea Recife Lo-fi essa sexta-feira (05 de fevereiro) às 21h no Quintal do Lima. Para participar é fácil, é só responder a pergunta: por que gravar suas músicas em casa?

Envie a respostas para o e-mail recifelofi@gmail.com com nome completo e RG. As duas melhores respostas ganham os ingressos para a festa de lançamento.

Festa de Lançamento da Coletânea Recife Lo-fiSexta-feira (05 de fevereiro) 21h no Quintal do Lima R$5Shows com Gleisson Jones, Julia Says, Zeca Viana & O Conjunto Imaginário e Ex-Exus, além de participações dos integrantes da coletâneaDjs D Mingus, Mucuri, Viviane Menezes e Jarmeson de Lima